Prós e contra da chuva de maio

 

A chuva chegou com força na primeira quinzena de maio sem dar tréguas ao longo de duas semanas, deixando os agricultores à beira de um ataque de nervos. Que o digam os produtores de cereja do Fundão, a braços com a fruta rachada ainda nas árvores, ou os colegas do vale do Tejo que já tinham lançado à terra as sementeiras de tomate, milho e arroz, assistindo agora à morte das plantas por asfixia, enquanto a uva de Santarém é atacada pelo míldio. E a chuva está ainda longe de responder às necessidades das barragens. As boas notícias do ano agrícola centram-se nas pastagens e cereais de sequeiro.

De um atraso de três semanas na campanha já a cereja do Fundão não se livra, mas o pior para os produtores são os prejuízos. “O fruto rachou por causa deste frio e da chuva intensa dos últimos dias”, explica José Branco, produtor e presidente da Cerfundão, empresa de embalamento e comercialização de cereja.

“Há variedades – sobretudo, as mais precoces – em que as perdas poderão ser totais. Depois há quebras na ordem dos 80%”, segundo o mesmo dirigente. A produção de cereja na região atinge uma média anual de seis mil toneladas, representando cerca de 20 milhões de euros para economia do Fundão, segundo estima a própria autarquia

Já as vinhas do Ribatejo debatem-se com o ataque do míldio, o temido fungo que surge à boleia da conjugação entre a chuva e as temperaturas relativamente altas, capaz de causar grandes prejuízos nas culturas. “Temos os nossos produtores num ataque constante ao fungo e esperamos que não chova nos próximos dias”, diz João Silvestre, diretor-geral da Comissão Vitivinícola Regional do Tejo, revelando que, afinal, ainda não há prejuízos para a uva da região.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

No vale do Tejo há agricultores que tentam salvar culturas com recurso a bombas para retirar água das sementeiras de tomate, milho e arroz. “A chuva atrasou um mês e deu cabo de tudo”, diz Luís Mira, secretário-geral da Confederação dos Agricultores de Portugal, denunciando que as plantas morrem por asfixia radicular e “já estão a boiar”, enquanto no Alentejo há atrasos na plantação de tomate e milho, segundo o agricultor de Elvas Miguel Mendes.

Mas a chuva também levou boas notícias às pastagens desta região, com “mais erva verde durante alguns dias, que irá beneficiar a pecuária”, sublinha o produtor, admitindo que os cereais de outono-inverno, como trigo e cevada, beneficiaram com o enchimento do grão, embora algumas searas “já tenham caído devido ao excesso de água”.

Luís Mira não exclui a possibilidade de os agricultores alentejanos ainda virem a ser afetados pela seca neste verão, avisando que a chuva dos últimos dias não se traduziu em recuperação das barragens mais a sul. “Houve zonas em que a chuva caiu mais 200% do que o normal, mas há locais do Alentejo em que ficou a 30%, deixando as albufeiras com pouca água”, diz.

Fonte: Diário de Notícias

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