Prejuízos provocados por chuvas nas lavouras chega a R$ 700 milhões

Sob influência do fenômeno climático El Niño, as chuvaradas constantes e quedas de granizo deixaram rastros de destruição em 115 mil propriedades do Estado, segundo levantamento divulgado pela Emater. Só nas lavouras de trigo, as estimativas iniciais dão conta de prejuízos na ordem de R$ 590 milhões, levando em conta apenas a redução no volume a ser colhido. Nas plantações de fumo, os estragos causados pela chuva de pedra somam mais de R$ 90 milhões em 130 cidades, sem incluir as perdas por afogamento da planta em áreas alagadas. Os danos da fúria do tempo se multiplicam na produção de frutas, hortaliças e leite e afetam, o calendário de plantio da safra de verão. No trigo, o mau tempo atingiu a cultura desde o começo da safra.  Em outubro, a chuvarada terminou de potencializar as perdas em quase 400 mil hectares, especialmente nas regiões Norte e Noroeste. Até agora, com menos de 50% da área colhida, a Emater estima redução de 40% da safra inicial estimada.

No início do ciclo de inverno,  a previsão era de colher quase 2,7 milhões de toneladas de trigo. Agora, se a safra chegar a 1,5 milhão de toneladas superará a expectativa dos mais otimistas. As perdas na cultura são responsáveis por boa parte das 8,6 mil solicitações de Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) que chegaram à Emater até o fim de semana, especialmente no Norte e Noroeste.

Schreiber calcula um prejuízo acima de R$ 50 mil com o trigo. Foto: Félix Zucco

Somente o escritório em Ijuí, no noroeste, recebeu quase 3 mil pedidos de 10 municípios da região. A redução no volume colhido soma-se à perda na qualidade do grão. Em muitos casos, o PH é tão baixo que a produção sequer é classificada como trigo, podendo ser destinada só para ração animal.

— Algumas cooperativas e cerealistas não estão nem recebendo esse grão com qualidade inferior — conta Carlos Turra, assistente técnico da Emater.

Produtor em Ijuí, Cristiano Schreiber, 37 anos, terminou no fim de semana de colher a área de 97 hectares cultivada com trigo. Investiu para colher perto de 60 sacas por hectare e viu a lavoura render em média 25 sacas por hectare após a geada em setembro e a chuvarada em outubro.

— Achei que iria demorar para termos uma safra tão ruim como a do ano passado. Mas, agora, foi ainda pior — lamenta Schreiber, que, neste ano, teve custos de 20% a 30% maiores para implantar a lavoura e, mesmo com parte da produção coberta por seguro, calcula prejuízo de R$ 50 mil a R$ 60 mil.

O sentimento é de frustração também nas lavouras de tabaco localizadas no Vale do Rio Pardo. Com as plantas bem desenvolvidas, fumicultores viram parte da produção ser destruída em menos de 15 minutos de tormenta.

— Nunca vi tanto granizo na minha vida. Não sobrou uma folha inteira quase — conta Heliodoro Weise, 47 anos, produtor no interior de Santa Cruz do Sul.

A chuva, dizimou quase todos os 4,5 hectares plantados ao lado dos irmãos Leonilo Weise, 55 anos, e Lucildo Weise, 50 anos.

Foto: Félix Zucco

Irmãos Weise perderam quase todo o tabaco que plantaram em 4,5 hectares. Foto: Félix Zucco

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Com perdas irreversíveis no inverno, produtores gaúchos temem que os prejuízos se estendam para a safra de verão. Por enquanto, o alerta maior é nas lavouras de arroz, que estão com plantio atrasado no Estado, especialmente nas regiões mais afetadas pelas enchentes.

O período previsto para plantio da cultura vai até 15 de novembro. Até a semana passada, levantamento do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) apontava 38,2% da área semeada.

 

 

Fonte: Zero Hora

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