Estudo mostra que o solo de Santa Maria é fértil para pelo menos 16 culturas

Um levantamento inédito promete ajudar o setor primário nos nove distritos de Santa Maria. Um estudo edafoclimático (do solo e clima) foram apresentados na prefeitura. O resultado aponta que a cidade tem aptidão para 16 principais culturas, entre as já tradicionalmente plantadas, como soja e arroz, e novas, como oliveiras, nóz-pecã e citrus.  Foram analisadas amostras de solo, relevo, cartela de clima e disponibilidade de água, com objetivo de apontar quais áreas rurais são mais propícias para o plantio de determinadas culturas.

O estudo foi realizado entre 2014 e 2015 pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Clima Temperado, do Ministério da Agricultura, com apoio técnico da Universidade Federal de Santa Maria e custou cerca de R$ 200 mil. ”É um estudo único no país. Aumenta as possibilidades de expandir a produção agrícola no município”, afirma o prefeito Cezar Schirmer.

Segundo o secretário de Desenvolvimento Rural, Rodrigo de Oliveira Menna Barreto, o levantamento servirá para redirecionar políticas públicas rurais já existentes.

Soja e gado são os produtos mais valorizados em 10 anos

”Três fatores positivos saem desse relatório: direcionar políticas públicas para os locais certos, servir para conhecimento dos produtores já estabelecidos em Santa Maria e, ainda, atrair novos investidores para a cidade”, explica Menna Barreto, secretário de desenvolvimento rural.

Conforme Clenio Pillon, chefe-geral da Embrapa Clima Temperado, o estudo é uma peça fundamental para a tomada de decisões, principalmente as técnicas. As informações são úteis para o agricultores que buscam diversificar sua matriz produtiva, aliada a um uso eficiente de recursos naturais.

Segundo Pillon, os recursos são abundantes no município, devido ao relevo, que é extremamente favorável à agricultura, e ao solo.

A aposta na oliveira

O levantamento indica um grande potencial para o cultivo de oliveiras em Santa Maria. A projeção é que,  ainda neste ano, 40 hectares de oliveira sejam plantados, o que viabilizaria a instalação de uma empresa em Santa Maria. De acordo com Menna Barreto, já existe um empreendimento do setor interessado em vir para a cidade.

Além disso, foi feito um levantamento de quais produtores têm interesse em produzir a cultura no município. Agora, com o estudo, será possível determinar se os interessados estão em áreas apropriadas.

Depois de mapeadas as áreas, pequenos produtores devem receber mudas, adubo orgânico e calcário da prefeitura, além de orientação e assistência técnica. Para isso, em março, técnicos da Emater e da assistência rural da prefeitura devem ser capacitados sobre o estudo feito pela Embrapa.

PRODUÇÃO LOCAL

As principais culturas e criações atuais da cidade:
Soja – 47 mil hectares
Arroz – 8410 hectares
Trigo – 500 hectares
Fruticultura – 229 hectares
Milho – 200 hectares
Fumo – 50 hectares
Hortigrangeiros – 43 hectares
Bovino de Corte – 121 mil cabeças
Bovino de Leite – 900 cabeças

Rentabilidade x aptidão

Atualmente, 28,5% da área da cidade é ocupada pela atividade agrícola. São duas culturas predominantes, soja e arroz, que ocupam 51,6 mil hectares, 47 mil só de soja. A escolha nem sempre está associada ao potencial da terra, mas ao rendimento financeiro que o grão fornece.

O engenheiro agrônomo Edegar Steckel possui duas propriedades em Santa Maria. Na área de Boca do Monte, Steckel cultiva soja, em 140 hectares, e arroz, em 60. Ele afirma que o solo é mais adaptável ao arroz, mas semeou soja em função da rentabilidade.

”O preço do arroz não está ajudando. A ideia é colocar gado de corte como alternativa às lavouras, que foram destruídas com as chuvas do ano passado”, ressalta Steckel.

Segundo o professor do curso de Agronomia da UFSM Fabrício de Araújo Pedron, que  participou do levantamento edafoclimático de Santa Maria, o estudo dos solos é importante para que haja um desenvolvimento rural adequado. Se uma análise de produtividade é feita de forma superficial, ela pode não indicar a potencialidade em sua totalidade, o que pode acarretar em um esgotamento da região.

”Plantar em uma área que não seja propícia à determinada cultura pode esgotar o solo, causando prejuízo. Um dos principais problemas que isso acarreta é a erosão. A perda de solo e dessa camada, que é a mais fértil. Quando essa terra sair de lá, ela vai se se depositar em outro lugar, como arroios, gerando um problema ambiental em cadeia”, explica o professor.

Ainda segundo Pedron, com base nas informações encontradas no levantamento, é possível prever a aptidão das terras para qualquer cultivo e, até mesmo, determinar informações de fragilidades ambientais, retenção de água e de desenvolvimento das plantas.

Deixar um Comentário

Seu endereço de email não será publicado.