Otimismo que brota do solo

Gilberto Balconi, do distrito da Palma, em Santa Maria, já vendeu um terço da produção com lucro maior (Deivid Dutra / A Razão)

Gilberto Balconi, do distrito da Palma, em Santa Maria, já vendeu um terço da produção com lucro maior (Deivid Dutra / A Razão)

Em meio ao turbilhão de informações sobre a economia brasileira, um setor surge com boas notícias: o agronegócio. A principal responsável pelo otimismo que brota dos campos é a soja. O início da colheita da safra 2015/2016, cuja abertura oficial ocorreu sexta-feira em Tupanciretã, indica que o Rio Grande do Sul terá produção recorde, estimada em 15 milhões de toneladas.

Impressiona o poder que esse pequeno grão dourado, presente em muitos alimentos consumidos no dia a dia, é capaz de agir para fazer girar a roda da economia. Não por acaso, a espécie impera sobre os demais grãos. O segundo maior produto plantado no Rio Grande do Sul, o arroz, alcança apenas metade do volume de soja. Para este ano, a estimativa da Companhia Brasileira de Abastecimento (Conab) é colher 7,8 milhões de toneladas de arroz.

A série de fatores que influencia na cultura da soja, como clima, solo, mercado internacional e dólar, foi favorável ao setor de grãos até agora. Sabedora disso, boa parte dos produtores da região central do Estado já vendeu sua produção que está prestes a ser colhida. Esses agricultores aproveitaram o momento de dólar elevado, obtendo até R$ 74 a saca de 60 quilos.

O resultado se traduz em muito dinheiro que, a partir de agora, começa a ser injetado na economia gaúcha. Santa Maria, como polo regional do comércio, tende a ser a principal beneficiada pelo sucesso do grão, que não por acaso é chamado de “grão de ouro”. “Será a principal fonte de renda de Santa Maria e região até o final do ano”, afirma o empresário Carlos Costabeber. Ele não esconde seu otimismo, pois sabe que, na média, todo mundo vai sair ganhando. “A gente já sente o reflexo”, assegura o dono de revendas de carros, caminhonetes e tratores em Santa Maria.

Ganho maior com o dólar em alta

O economista Mateus Frozza, professor do Centro Universitário Franciscano (Unifra), é um pouco mais reticente. O docente diz que os produtores venderam suas safras com o dólar alto e saíram ganhando. Porém, acredita que irão evitar gastar o dinheiro agora, enquanto não houver uma solução para a crise política e econômica de Brasília. “Respinga na economia local, com certeza. Mas quem pode investir, não investe agora, com receio”, acredita Frozza.

O produtor de soja Gilberto Balconi, 59 anos, do distrito da Palma, em Santa Maria, conta que a chuva no final do ano passado atrasou o plantio no Centro do Estado. Com isso, deve haver perda de até 10% na produção. Mesmo assim, ele acredita que possa colher um volume igual ou até maior que na safra passada. Balconi já vendeu 30% da sua produção com o dólar perto dos R$ 4, e aguarda a alta da moeda para comercializar o restante.

Controle de pragas reduz custos

Além da falta de chuvas, o grande temor dos produtores de soja é com as pragas da lavoura. O combate aos inimigos naturais da planta, como a ferrugem e as lagartas, gera grande despesa com defensivos agrícolas. Para diminuir os custos com insumos, é fundamental haver um controle rígido sobre a plantação.

Um programa, o Manejo Integrado de Pragas (MIP), desenvolvido pela Emater, tem auxiliado os agricultores a identificar pragas e fazer uso racional dos defensivos. O engenheiro agrônomo Luiz Antônio Rocha Barcellos, conta que, nesta safra, 20 lavouras da Região Central estão sendo monitoradas. Segundo ele, o uso de defensivo caiu pela metade. A iniciativa reduz em até 10% o custo de produção.

Aos 83 anos, o produtor de soja Carlos Mozart Marques de Moraes traduz o sucesso no campo com um comparativo com saúde. “Automedicação não resolve”.

Fonte: Jornal A Razão

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