Nas últimas semanas, o mercado de arroz em casca no Rio Grande do Sul tem mostrado firmeza nas cotações, mesmo com a proximidade da nova safra. O movimento tem uma explicação bem “pé no chão”: demanda interna mais ativa (especialmente varejo e atacado) encontrando uma oferta mais controlada pelos produtores, que administram estoques e escolhem melhor o momento de vender.
Para uma cooperativa agrícola, esse cenário é importante porque afeta diretamente estratégias de comercialização, armazenagem, fluxo de caixa e negociação com a indústria.
O que está sustentando os preços agora
1) Reposição de estoques na cadeia (varejo e atacado)
Depois de um período de negociações mais cautelosas, a necessidade de recompor estoques ao longo da cadeia aumentou a liquidez e trouxe mais compradores ao mercado. Na prática, quando varejo e atacado apertam o “botão de reposição”, a indústria tende a buscar matéria-prima com mais urgência, e isso reduz a pressão para descontos agressivos.
2) Produtor vendendo de forma seletiva
Do lado da oferta, o comportamento não é homogêneo:
- quem tem mais volume armazenado prioriza logística e organização para receber a safra nova;
- quem tem pouco remanescente faz vendas pontuais, liberando excedentes.
Esse “controle de oferta” evita um aumento repentino de disponibilidade e ajuda a manter as cotações firmes no curto prazo.
Contexto estrutural: por que o RS move o ponteiro
O Rio Grande do Sul é o principal polo do arroz no país. A Embrapa destaca que a região Sul concentra grande parte da produção nacional e que o RS responde por mais de 65% do arroz colhido no Brasil, ou seja: quando o RS está firme, o mercado brasileiro sente.
E o mercado internacional? Por que o mundo pode estar “barato” e o RS firme
No cenário global, 2025 teve pressão baixista em parte do mercado internacional de arroz, com a FAO registrando média anual do índice de preços de arroz abaixo do ano anterior, apesar de oscilações recentes (com reação em dezembro).
E veículos internacionais destacaram quedas relevantes nos preços globais, associadas a safras fortes e mudanças em restrições de exportação, aumentando oferta no comércio mundial.
Como conciliar isso com o RS firme? Porque, no curto prazo, o preço local está muito ligado a:
- ritmo de compra doméstico (varejo/atacado),
- disponibilidade imediata de arroz em casca,
- postura de venda do produtor e logística,
- timing da entrada da colheita.
Cenário indica estabilidade até a entrada da nova safra
A firmeza atual do arroz no RS é resultado de um encaixe específico de curto prazo: demanda doméstica ativa + reposição de estoques + oferta controlada pelo produtor.
O cenário atual aponta para uma manutenção da estabilidade nas cotações até o início efetivo da nova colheita, que tende a ajustar a relação entre oferta e demanda nas próximas semanas.
FONTE: portaldoagronegocio.com.br, canalrural.com.br, gov.br (Conab), embrapa.br.

