Cooperado, o Rio Grande do Sul tem força produtiva e conhecimento técnico como poucos lugares do Brasil, mas a última sequência de safras mostrou uma verdade simples: quem ganha consistência não é quem “copiou a receita”, e sim quem adaptou a tecnologia à própria realidade.
Essa foi uma das mensagens centrais do engenheiro agrônomo Ubirajara Garcia Fontoura, ao falar sobre produtividade no RS: tecnologia funciona quando é ajustada para o nosso solo, clima e manejo, e quando o produtor vê resultado real no campo, de preferência “na porteira do vizinho”.
A partir disso, deixamos aqui uma leitura bem prática, como cooperativa, com foco no que protege sua margem e sua estabilidade.
1) Não é “transferir tecnologia”: é adaptar para o RS
Nós sabemos que muita recomendação nasce em outras regiões e chega pronta. O ponto é: o que funciona no Centro-Oeste pode não funcionar igual aqui, porque a combinação de clima, janela, relevo e tipo de solo muda. O Fontoura foi direto: o salto de produtividade acontece quando o conhecimento é validado e ajustado com envolvimento do produtor.
O que isso significa na prática (para não errar caro):
- testar por talhão/área menor antes de escalar;
- comparar manejos lado a lado (mesma cultivar, doses e operação);
- medir custo por hectare e resultado por saca (não só “parece que foi bem”).
E aqui entra o nosso papel: ser ponte entre pesquisa, recomendação e aplicação, com acompanhamento e leitura de resultado.
2) Solo é ativo estratégico: resiliência começa no chão
A segunda mensagem forte é sobre solo. Em um RS com estiagens recorrentes e extremos, o solo deixa de ser “cenário” e vira seguro produtivo: rotação, cobertura permanente e sistemas integrados ajudam a segurar água, reduzir erosão, melhorar estrutura e sustentar produtividade.
Quando falamos em integração lavoura-pecuária (ILP), por exemplo, a Embrapa define como diversificação/rotação/consorciação das atividades agrícolas e pecuárias, com benefícios para o sistema, incluindo melhoria de propriedades do solo, controle de pragas/doenças e melhor uso de máquinas e mão de obra.
O recado da cooperativa aqui é bem objetivo:
Se o clima está mais “nervoso”, a resposta mais rápida e consistente costuma vir de manejo que aumenta tolerância (e não só de “mais insumo”).
3) Água e irrigação: investir com estratégia (e com apoio disponível)
Nós também precisamos falar de água sem romantizar: em muitas regiões, produzir bem passa por armazenar e manejar água.
O RS tem um programa estadual de irrigação com subvenção: o Estado informou que paga 20% do valor do projeto, limitado a R$ 100 mil por beneficiário, e reconhece que hoje apenas cerca de 4% da área de sequeiro é irrigada, ou seja, ainda existe muito espaço para avançar onde faz sentido técnico e econômico.
Nosso cuidado é ajudar você a decidir com pé no chão:
- onde irrigação fecha a conta;
- qual sistema faz sentido para sua realidade;
- como planejar reservação/estrutura sem travar o caixa.
4) Informação de clima que vira decisão (não “previsão de WhatsApp”)
Em ano de variabilidade, o que ajuda é monitoramento frequente. O RS disponibiliza comunicados agrometeorológicos mensais, relacionando chuva e temperatura com o desenvolvimento das principais culturas no Estado.
Nós usamos esse tipo de material para apoiar decisões como:
- ajuste de janela de operação;
- risco de estresse hídrico em fases críticas;
- planejamento de adubação e manejo de solo conforme o momento da lavoura.
5) O tamanho do agro no RS aumenta a responsabilidade (e a necessidade de previsibilidade)
Um dado importante para contexto: a própria Secretaria da Agricultura do RS aponta o agro como motor da economia, com cerca de 40% do PIB estadual, e reconhece entraves como dependência climática, gargalos logísticos e necessidade de crédito mais acessível e estável.
Isso se traduz numa orientação nossa bem clara: crescer com segurança em 2026 pede gestão de risco, não só produtividade.
FONTE: farrapo.com.br, agricultura.rs.gov.br, estado.rs.gov.br.

